Praça da República

Praça da República, s/n – Centro
Localiza no centro da cidade, o local é ponto de encontro da população.
Abriga a Fonte Luminosa construída em 1950, considerada um dos mais bonitos atrativos turísticos do município, reproduz a dança das águas que é um espetáculo único.
São realizados eventos de pequeno porte como apresentações musicais, teatro e a tradicional chegada do Papai Noel.
Possui ainda um monumento em referencia ao marco da República a imagem de Deodoro da Fonseca pintada em azulejo e uma cruz de cimento, onde outrora deveria ter sido erguida uma capela.

A Cruz da Praça

Todos nós crescemos vendo ali na praça Artur Pires (hoje Praça da Republica), uma cruz, rodeada de roseiras, sobre modesto pedestal de pedras, solitária e triste.
Muitos perguntam:

-Qual a origem? Quem a plantou ali?

Não marca ela o lugar onde tombou algum viajante varado pelas balas traiçoeiras, vinda das brumas da noite, em vil emboscada. Não assinala ela o lugar onde descansa em seu último sono, alguém que ali fosse depositado, em cova rasa por ter sido sacrílego, sem o conforto da terra abençoada. Vem ela dos primórdios da história da cidade, quando esta era ainda pequenina e ensaiava seus primeiros passos na interminável senda dos tempos. Ela ali está, como marco vivo da fé de um simonense, que a voragem levou envolto nas dobras roxas do passado.

A família Azevedo, que grandes luminares nos legou, aqui se radicara, havia muito tempo. O avô de Martiniano de Azevedo, que era solicitador das causas cíveis, enriquecera, mercê de seus esforços e trabalhos ininterruptos por anos de trabalho.

Quando já velho, percebendo que em breve a morte o visitaria, fez seu testamento, legando, no mesmo, a quantia de dez contos de réis, para que seus herdeiros mandassem erigir dentro de suas terras, uma capela em louvor de Nossa Senhora Aparecida, sua grande protetora e que o ajudara a amealhar tudo aquilo que legava aos seus.

Assim, passado o período de luto, os descendentes do ilustre morto, com fogos, música e grande festa, numa manhã, entregaram à terra, ali naquele lugar, a pedra fundamental da futura casa de oração.

Porém, o pároco pediu aos herdeiros, que abrissem mão do dinheiro legado, para com ele completar a quantia de que necessitava para a vinda da maravilhosa obra de arte que é o altar-mor da matriz, encomendado na Itália, ao imortal escultor Marino Del Favaro. Trabalhado em madeira de lei e ouro, compõe-se ele de uma apoteose de anjos, arcanjos, querubins e serafins, magníficos nas expressões e graça dos movimentos.

No alto, está o mundo estrelado, rodeado de cinco querubins, dentre os quais, um coloca sobre o mesmo, a cruz. Mais abaixo, outros dois querubins, sustentam a corôa da Majestade Divina. Aos lados, sentados sobre lambris dourados, à direita e à esquerda, dois arcanjos empunham os símbolos da Justiça e as trombetas do Juízo Final; no centro sobre nuvens, dois serafins levantam uma salva de ouro, da qual emerge o Divino Espírito Santo. Sobre o Sacrário, dois anjos sustentam magníficos candelabros. No chão, sobre colunas, de cada lado, dois arcanjos de asas abertas, erguem outros dois candelabros imensos. Suas guirlandas entrelaçadas, formam estupenda floração que circunda os nichos onde estão, no centro ao alto, São Simão Apóstolo e aos lados São José e Nossa Senhora do Carmo. Sua contemplação é extasiante e constitui ele, o orgulho de todos os filhos da terra. Como esse altar, jamais se viu outro e parece que o artista realizou tão bela obra prima, para jamais fazer outra igual.

A sonhada capela de Nossa Senhora Aparecida, não se projetou no espaço, ali no jardim onde se acha a cruz, pois sua padroeira preferiu que o altar falasse, através dos tempos, da beleza, da paz e da concórdia que deve haver entre os homens de boa vontade.​

Foi melhor assim…

Talvez a capela a ser erigida ali, não dissesse tão magnificamente, como nos fala esse altar, quando comovidos e contritos nos ajoelhamos diante dele para elevar nossas preces ao Senhor.