MUSEU DA MEMÓRIA FERROVIÁRIO DE SÃO SIMÃO “ALBERTO DE OLIVEIRA”

ESTAÇÃO DE BENTO QUIRINO
MUSEU DA MEMÓRIA FERROVIÁRIO DE SÃO SIMÃO “ALBERTO DE OLIVEIRA”

Av. José Nayme s/n – Bento Quirino

A ferrovia de São Simão é uma das partes mais importantes da história do município. A Estação Ferroviária de Bento Quirino foi fundada em 1902 e no
dia 11/11/2011, com objetivo de resgatar e preservar a história ferroviária de São Simão foi inaugurado o Museu Ferroviário.

Com a reforma da estação e criação do museu, o local possui uma exposição iconográfica, juntamente com equipamentos, ferramentas, utensílios, documentos e fotos das antigas estradas de ferro E. F. SP e Minas e Cia. Mogiana.

Com a criação do museu ferroviário em São Simão, também se prestou uma grande homenagem aos ex-ferroviários, parentes e admiradores da ferrovia, além de criar um espaço turístico e cultural no bairro.

Historia
Cia. Mogiana de Estradas de Ferro (1902-1971)
BENTO QUIRINO
Município de São Simão, SP
Linha-tronco original – km 259,082 SP-1039
Altitude: 590 m Inauguração: 01.11.1902
Uso atual: museu (2009) sem trilhos
Data de construção do prédio atual: 1902

 

HISTORICO DA LINHA: A linha-tronco da Mogiana teve o primeiro trecho inaugurado em 1875, tendo chegado até o seu ponto final em 1886, na altura da estação de Entroncamento, que somente foi aberta ali em 1900. Inúmeras retificações foram feitas desde então, tornando o leito da linha atual diferente do original em praticamente toda a sua extensão. Em 1926, 1929, 1951, 1960, 1964, 1971, 1973 e 1979 foram feitas as modificações mais significativas, que tiraram velhas estações da linha e colocaram novas versões nos trechos retificados. A partir de 1971 a linha passou a ser parte da Fepasa. No final de 1997, os trens de passageiros deixaram de circular pela linha.

A ESTAÇÃO: Inaugurada em 1902, a Estação de Bento Quirino servia no início para cruzamento de trens entre Cravinhos e São Simão, atendendo também os moradores da fazenda Restinga – a estação era para se chamar Restinga – e para atender o pessoal do cemitério da cidade de São Simão, que era ali perto, pois ninguém queria enterrar os mortos das epidemias que assolaram a cidade naquela época, perto do centro… e como a estação ficava muito perto da linha da então Viação Férrea São Simão (mais tarde a São Paulo-Minas), os proprietários desta fizeram um acordo com a Mogiana para que a linha, que saía do centro de São Simão, passasse a sair dali, economizando quilômetros de linha na serra da Cangalha, que a partir daí foram eliminados (veja a história da São Paulo-Minas).

 

No mesmo ano, a modificação foi feita. Os trens da VFSS, entretanto, por muitos anos embarcavam seus passageiros na estação ao lado, que ela própria administrava, deixando a estação de Bento Quirino para os passageiros da Mogiana.

Ao seu redor, foi-se construindo uma vila ferroviária, pelos donos da SPM, que chegou a ser considerada modelo.

O nome desta estação foi uma homenagem ao presidente da Cia. Mogiana na época, Bento Quirino dos Santos.

Porém, em 1969, a SPM deixou de sair de Bento Quirino, sendo desativado o trecho entre esta estação e a de Ipaúna e a própria estação, com isto, foi fechada. Funcionou ainda por poucos anos como escritório da São Paulo-Minas, até sua extinção em 1971, mesmo ano em que a estação ficou fora da linha, com a inauguração, em 25 de fevereiro, da variante Tambaú-Bento Quirino.

Parte da vila foi destruída em 1972, em atitude até hoje inexplicada, aparentemente por funcionários da Fepasa.

Dezoito anos depois, em 1986, o prédio da estação de Bento Quirino estava fechado, em estado razoável de conservação, e já fora dos trilhos, devido à retificação de 1971.

Uma das casas da vila ainda abrigava o arquivo da EFSPM, mas a casa estava fechada e trancada. Hoje o prédio transformou-se em estação rodoviária e Memorial Ferroviario de São Simão (Fontes: Edilson Palmieri e relatórios da Mogiana e da São Paulo-Minas).

O livro “O Drama das Estradas de Ferro no Brasil”, de Hugo de Castro, conta o que foi a vila ferroviária de Bento Quirino: “Alargou-se a sua bitola de 60 centímetros para um metro; seu leito começou a ser empedrado; mas a adaptação do material rodante e de tração para a nova bitola tornou-se um sério problema. Foi nesse período de vida da estrada (anos 1920) que Bento Quirino, uma simples estação da Companhia Mogiana, começou a crescer materialmente e a nascer como célula social modelo. E em virtude do espírito de honestidade, de solidariedade mútua e de trabalho constante de sua gente, chegou a figurar nas estatísticas do Conselho Nacional de Geografia, na década de cinquenta, como o núcleo populacional de maior conforto médio no Brasil. Materialmente foi provida de: Uma sede para a administração da estrada; uma ótima casa para o diretor; Um grupo de cinquenta casas para funcionários, de entre as quais cinco muito grandes, com amplos jardins e quintais, para os chefes de departamento; Uma oficina mecânica muito bem aparelhada; Um depósito de vagões; Uma rotunda com girador; Uma escola de formação de oficinas; Um poço semi artesiano, de 109 metros de profundidade, de base diabásica, jorrando em quantidade água puríssima, distribuída à população através de rede da própria estrada; Um grupo escolar amplo e moderno; Um gabinete dentário; Uma pequena cadeia; Um vasto armazém de abastecimento que fornecia, a prazo, para os funcionários, desde o fósforo até a geladeira; Um clube recreativo e de esportes que causava surpresa, espanto e admiração a quem o visitava pela primeira vez e nem acreditava no que estava vendo. Esse clube, a Associação Esportiva Quirinense, em cujo jardim frontal se exibe, vaidosa e sedutora, uma das primeiras locomotivas que vieram de Filadélfia para a estrada, está instalado numa área de dois alqueires aproximadamente, e contém uma grande sede moderna, com salão de dança, cinema e bar; tem um campo de futebol oficial cercado de tela e muro, com arquibancadas de concreto armado e vestiário; um campo de bocha duplo, campo de basquete, grande área coberta com cozinha e barracas de telha, para jogos e leilão de prendas nas quermesses.

As quermesses de Bento Quirino eram famosas; a população inteira se esforçava, gratuitamente, para dar-lhe um brilho incomum; para tomar parte nelas chegava gente de toda a redondeza, até de São Paulo; às vezes duravam três dias seguidos e era uma delícia passar os fins de semana assistindo seus ricos leilões, deglutindo frangos e leitão assado, mastigando, com volúpia, os célebres pastéis de D. Cezira, bebericando uma suave cerveja gelada, ouvindo música, tudo isso unido ao picante prazer de comentar a vida alheia, ao ingênuo sabor do “Correio Elegante” e a doces idílios precursores de suaves noivados e felizes compromissos de casamento. A finalidade inicial daquelas quermesses era a construção da graciosa igreja local dedicada a Santo Antônio, erguida em sombreada praça à custa do povo que, além das quermesses ainda se reunia constantemente em gloriosos mutirões de trabalho para que a linda igrejinha ficasse logo pronta e o bimbalhar dos sinos enchesse de místicas vibrações a comunidade. Todas as crianças e toda a juventude estudavam; um ônibus construído nas oficinas hoje arrasadas da estrada, levava, cedo, para São Simão, os alunos do Ginásio e da Escola Normal; e, à noite, levava e trazia os discentes da Escola de Comércio. Mas… delenda Bento Quirino!(…)”.

 

Quem foi Bento Quirino dos Santos 

(Nome dado a Estação e ao Bairro de Bento Quirino) 

 

Bento Quirino dos Santos nasceu em Campinas, no dia 18 de abril de 1837. Era filho do major Joaquim Quirino dos Santos e D. Manoela Joaquina de Oliveira Santos. Desde cedo começou a trabalhar na vida comercial, tendo o seu estabelecimento no prédio em que hoje funciona a “Escola Politécnica de Comércio Bento Quirino”.
Durante a epidemia da febre amarela de 1889, Bento Quirino prestou tantos serviços à cidade que a população mandou colocar na fachada de seu estabelecimento e residência uma placa comemorativa (na Rua Sacramento, esquina com Benjamin Constant).
Bento Quirino foi extremado propagandista da República, e eleito vereador pelo Partido Republicano na época da Monarquia. Fundou a “Santa Casa de Campinas”, onde auxiliou o Padre Vieira. Foi diretor da Companhia de Iluminação a Gás.
Bento Quirino também foi um dos fundadores do “Colégio Culto à Ciência” e da “Companhia Campineira de Água”, além de presidente da “Companhia Mogiana” e sócio benemérito de todas “Associações Campineiras”.
Bento Quirino morreu em 26 de dezembro de 1914, tendo sua memória vinculada às mais úteis instituições locais. Grande parcela da sua fortuna foi destinada à fundação do “Instituto Profissional Bento Quirino”, e à manutenção da “Escola Técnica de Comércio Bento Quirino” (que hoje funciona em sua antiga residência), orfanatos, hospitais, maternidades e “Creche Bento Quirino”.
O Monumento a Bento Quirino situa-se na Praça Antônio Pompeo. Ele foi inaugurado em 18 de abril de 1914, no saguão do “Instituto Profissional Bento Quirino”, e depois foi transferido para a Praça Antônio Pompeo, no dia 18 de abril de 1937, quando foi comemorado o centenário do seu nascimento.

Fonte: http://blogs.viaeptv.com/blogs/promemoriacampinas/page/370/